Padd Solutions

Converted by Falcon Hive

Mostrando postagens com marcador Texto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Texto. Mostrar todas as postagens
Post adaptado de praticamente um monólogo no meio de uma conversa de MSN com a Amiga Desenhista (única pessoa não-digital que me entende).

O amor não existe, é uma coisa idiota inventada pelos poetas de outrora pra venderem poesia. Que foi adotada por pessoas gananciosas como Shakespeare pra vender peças de teatro. Hoje em dia é mantida por idiotas preocupados em vender filmes, musicas, livros e presentes de Dia dos Namorados, lucrar com cerimonias de casamento, luas de mel, e, posteriormente, processos de separação. Só isso.

Mas eu super caí na pegadinha. Era inocente demais.

Agora a meta é me conformar e optar entre viver solteira e rancorosa ou settle for less, aceitar algo conveniente e chamar de amor para ser bem visto pela sociedade. Ou ainda virar uma canalha cuja missão é quebrar os mais diversos corações para espalhar a informação real de que amor não existe.

Resumo: Love sucks and it will only get you hurt. Badly and unrecoverably.


Ps. Depois não diga que eu não avisei.

Cartas pra ninguém

sábado, abril 10, 2010 , , 2 comentários

Escrevo cartas pra ninguém. Até a pouco tempo eu escrevia cartas em momentos de ócio para uma pessoa muito especial. As cartas poderiam começar por qualquer motivo, muitas vezes até tédio. Começavam por qualquer assunto, até para comentar o clima do lugar onde eu estivesse, mas sempre acabavam por incluir uma declaração de amor, um atestado de admiração, uma afirmação de dedicação. Minhas cartas eram simples, bobas até, mas escondiam muito significado.

Agora eu não tenho mais destinatário para essas cartas que preenchem os momentos de ócio com caneta e papel a mão então escrevo para ninguém.

Isso na verdade cumpre muito bem com as funções das cartas de antes. Eu escrevo, passo meu tempo, coloco meus pensamentos no papel e ninguém me escreve de volta. Continua igual a antes. Igualzinho.

Assassino de aluguel

segunda-feira, abril 05, 2010 , , , 14 comentários

Eu tenho uma dificuldade absurda em desistir. Nunca fui uma boa perdedora.

Fico pensando incessantemente em onde foi que eu errei. Ouvi que eu não tinha errado em nada mas eu discordo, consigo pensar em várias coisas. A maioria relacionada a não saber cultivar o amor. A deixar que nós duas nos acostumássemos muito, nos acomodássemos muito. Eu deveria ter cultivado melhor o negócio absolutamente ESPECIAL que tínhamos em vez de ter deixado que tudo se tornasse banal.

Das maiores às menores coisas. Tudo tem sido lembrado.
Eu deveria ter confessado antes que na verdade eu amava quando ela me chamava de "nenem". Algum amigo que eu não lembro falou que era brega e mimimi e eu fiquei com vergonha de admitir que achava lindo. Ela nunca mais me chamou assim mas o cartão que ela escondeu na minha carteira em uma das primeiras vezes que eu viajei durante o nosso namoro onde se lê "Oi Nenem ^^ Saudade! Beijos, Namorada xD" ainda está aqui na carteira. Foi a única coisa que eu ainda não consegui guardar na caixinha das coisas do namoro. Adotamos o "Xuxu" (alguns aí devem pensar que é tão brega quanto ou pior do que Nenem, não dou a mínima) mas me arrependo imensamente por nunca termos nos chamado de Amor com mais naturalidade. Por que diabos eu tive tanta vergonha de admitir mais vezes que é isso que ela é? Meu amor.

Nessa Páscoa eu só consegui pensar em como Páscoa feliz mesmo foi aquela em que eu viajei para a casa da vovó e ela ficou com a chave do apartamento para cuidar do gato como sempre fazia. Quando eu cheguei de viagem encontrei um chocolate, uma rosa e um cartão de feliz páscoa em cima da minha cama. Me tirou o fôlego e ainda tira. Me pergunto quando foi que eu deixei de tirar o fôlego dela, ou se já cheguei a tirar.

É muito difícil aceitar que todo o amor que eu sinto vai ter que ser afogado. Me parece um desperdício sem igual.

E eu não consigo fazer sozinha, nem consigo lidar com assassinos de aluguel.

Não acaba.

quinta-feira, abril 01, 2010 , , , 4 comentários

Existe uma leitora daqui que anda se transformando em amiga. Daquelas dos áureos tempos em que os amigos trocavam correspondências. Correspondemo-nos nos sentimentos que andam nos maltratando um pouco e na certeza de que o tempo nos permitirá a felicidade futura.

Essa amiga me enviou essa crônica do Marcelo Rubens Paiva no último e-mail. Alertou que não sabia se a leitura me ajudaria ou atrapalharia e quando li o título pensei "eu não quero ler isso" mas, tendo vindo de quem veio, achei que valeria a pena. Ao terminar a leitura decidi "EU PRECISO POSTAR ISSO!".

E aqui está a primeira participação direta da Amiga por Correspondência (e o nome se encaixa mais do que simplesmente pelo formato que a nossa conversa tem) no blog.

O amor acaba?

O cara disse. Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, como se lhe faltasse energia. Ele não volta? Não deixa rastro ou renasce? Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está, na sombra apagada pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada. Na solidão, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido… Na insônia, o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, e se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado? Na sorveteria, ele volta, o amor, em lembranças. Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos… No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atlasado: “Eu te amo”. Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se amou. O amor não acaba, porque tenho saudades, me lembro dela, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito. O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, não vejo a paz. Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra a minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei meses amando como se não tivesse acabado. Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado. O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. Nas tantas músicas que ouvimos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto os meus braços imobilizavam os seus. Amor. O não-amor é o vazio. O antiamor também é amor. Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Lembra do meu dedo dentro de você? Amo-te, amo-te, amo-te. Instante secreto, sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz: Eu te amo! O amor acabou quando você se foi? Você sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, das noites pelados assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol, do café da manhã com jornal, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar um livro, do cinema gelado em que vimos o filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, inconveniência, de eu ser seu amante, noivo, amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe e pensou em nós especialmente bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali, acaba? Diz que acaba. Como acaba? Não acaba. Diz, não acaba. Repete. Falei? Não acaba. Pode virar amor não correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor. Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba. Vira. Se acabar, não era amor.


Da primeira vez li O Pequeno Príncipe por ordem da professora do colégio. Não devia ter mais de 10 anos, li como eu lia todos os livros, imaginando cada cena, ouvindo cada diálogo mas não indo além disso. Naquela idade eu não era capaz ainda de entender as entre linhas, não vi a parábola que é O Pequeno Príncipe. Só li a história e ela sozinha não me encantou, não entendi aos meus 10 anos porque é um livro tão famoso. Como podem pessoas (príncipes, reis, beberrões, homens de negócios, vaidosos, geógrafos ou acendedores de lampiões) viverem sozinhas em planetas minúsculos? Como o príncipe viajava entre eles? Não fazia muito sentido.

Anos depois, já universitária, encontrei meu velho livro e resolvi ouvir àqueles que dizem que O Pequeno Príncipe não é uma história infantil e que deve ser lida por adultos e li o livro novamente. Já fui muito mais capaz de entender a beleza por trás da história fantasiosa, entendi alguns dos conselhos nele inscritos e gostei muito mais da história do que da primeira vez que tinha lido. Fiquei com a relação do Príncipe com sua rosa na cabeça e esses dias entendi de vez a história toda. Reli o livro mais uma vez e agora sim compreendo a separação do jovem monarca e da sua frágil flor e todos os sentimentos que acompanham a história deles. Entendi o que foi ensinado pela raposa, pelo jardim, tudo aquilo que as pessoas grandes deixam passar despercebido.


Eu nunca viajei à África, não atravessei o deserto mas encontrei esse lugar.

Conheci o Principezinho, já fui a sua rosa. Mas assim como no livro ele também escolheu me deixar para trás, presa no pequeno planeta dependendo apenas dos meus quatro pequenos espinhos e sem mais a proteção da redoma de vidro. Desde que isso aconteceu eu gosto mais de cada pôr-do-sol que acontece aqui no asteróide B 612 . Se eu pudesse, veria o sol se pôr quarenta e três vezes por dia, mas pequenas rosas têm raízes e não podem dar os pequenos passos necessários para isso.

Acho que o meu principezinho teve as mesmas dificuldades que o Pequeno Príncipe original teve com a rosa dele. Quem sabe um dia o meu principezinho encontre também uma raposa que o ensine as coisas importantes que eu não fui capaz e, com sorte, lembre-se também de uma certa rosa que já o tinha cativado.

A despedida me faz chorar, tenho o trigo que vejo em todos os cantos para me fazer lembrar e o barulho do vento no trigo é muitas vezes um som cruel mas prefiro isso à ser um cogumelo que nunca amou ninguém.

Me pergunto apenas por quanto tempo a rosa ficou a esperar o Pequeno Príncipe voltar. Será que ela se conformou que ele não mais viria? E o carneiro sem mordaça? Teriam todos os guizos se transformado em lágrimas?

_____________

Já ia me esquecendo. Encontrei um link com o livro em .pdf para baixar. Fiz o teste e funcionou. Tem coisas no post que fazem muito mais sentido quando se lê o livro.

Deixo aqui de presente para todos que ainda não leram.

O PEQUENO PRÍNCIPE.pdf
Não, não se trata de um post religioso. Apaguem suas tochas, brejeiras!


Minha mãe tem um colega de trabalho que a conheceu quando ela estava grávida de mim e se transformou em grande amigo da família, por vezes me tratando como filha e me aconselhando como um pai cuidadoso. Já tivemos conversas profundas sobre diversos assuntos no decorrer dos anos e dou ouvidos a tudo o que ele fala porque sinto nele um carinho enorme por mim. Muito do que ele fala soa como se ele tivesse planejado ter aquela conversa comigo, como se ele soubesse que seria importante para mim, que faria diferença ou que era algo que eu precisava escutar. Por isso valorizo muito cada conselho ou palavra de reconhecimento que recebo dele. Sendo assim, decidi que leria um livro indicado por ele, mesmo sabendo que era um best seller a lá Oprah's Book Club que envolvia um bizarro encontro com Deus em uma velha cabana mágica, ou algo assim.

Esse amigo me pediu para ler A Cabana de mente aberta, deixando de lado essa coisa toda de religião e Deus, apenas prestando atenção aos conselhos do livro. Não discuti porque sei que ele, assim como eu, não é um cristão fervoroso então não estaria tentando me vender um blá blá blá religioso como tentativa de me converter nem nada disso. Dei uma chance pro livro. A leitura não tem me empolgado muito não. Estava indo bem até o tal Deus literalmente surgir como personagem da história. 98% das falas do Sr. Deus (em qualquer uma das 3 "formas" dele no livro) não fazem sentido nenhum, e mesmo as que fazem sentido eu não dou muito crédito porque quem é esse tal de William P. Young (o, agora milionário, autor) pra saber como é Deus e o que ele Ele diria? Mesmo as falas que fazem sentido são evasivas demais, muita conversinha mole pro meu gosto. Enfim, não curti.

Eis que na página 115 finalmente algo me chama a atenção. Deus, respondendo ao seu "filho" que perdeu a fé, diz:

"... A confiança é fruto de um relacionamento em que você sabe que é amado. Como não sabe que eu o amo, não pode confiar em mim."

Brilhante! Perfeito. A fonte pode não ter sido das melhores mas essa frase é muito verdadeira. Faz total sentido, claramente não só ao se tratar do relacionamento das pessoas com Deus, mas em qualquer relacionamento.

Questões relacionadas à segurança, confiança e demonstrações de carinho são um assunto recorrente em blogs que eu acompanho, nas perguntas do Formspring e nas conversas que tenho com algumas de vocês no MSN e essa frase resume tudo muito bem. Eu tento falar que as namoradas-menininhas de vocês precisam ser paparicadas pra se sentirem amadas e assim deixarão de ser inseguras, né?

Então, minhas caras.
Deus concorda comigo! Hahahahah

Tá meio quente aqui, não?

terça-feira, fevereiro 09, 2010 , , 6 comentários

Não sei se vocês têm notado mas tem feito uns dias bastante quentes ultimamente.


Eu quase não tenho visto o povo reclamando disso pelos Twitters da vida nem nada (NOT!) então não sei se outras pessoas tem se incomodado tanto quanto eu com as altas temperaturas das últimas semanas. Só sei que aqui em casa os nossos banhos têm sido acústicos faz algum tempo. A pelo menos uma semana que chuveiro elétrico está unplugged e só tomamos banhos gelados pra tentar combater um pouco esse calor.

Domingo passado eu não resisti e fui para a praia com a família. Mar calminho, calminho, praticamente sem ondas, passei horas e horas sentada na água. Uma beleza. Quase esqueci do sol queimando tudo na superfície da Terra. Inclusive ME queimando né, porque não houve protetor solar que resistisse ao mar e ao sol que insiste em transformar nosso verão num inferno fora do normal. Resultado: Estou um pimentão.

E o mais legal é que eu não me queimei por igual. Nãããão, me queimei toda desproporcionalmente. Até me queimar eu me queimo toda errada. Acho que porque estava meio dentro da água, porque estava sentada de costas mas meio de lado pro sol, sei lá. Só sei que to com as costas vermelhas mas que o lado esquerdo arde ainda mais do que o direito. Tem uma área do meu pescoço mesmo que Nossa Senhora do Sundown, tá terrível. Não to podendo nem usar blusa direito, difícil achar alguma que nao machuque os ombros.

Agora cá estou eu, embebida em Caladryl e sofrendo ainda mais com esse verão porque antes fosse só o tempo quente mas agora minha pele fica quente por si só. E haja ventilador!

Porque eu sou uma mulherzinha

sábado, fevereiro 06, 2010 , 7 comentários

De uns tempos pra cá eu tenho notado algumas pequenas diferenças na minha personalidade. São detalhes bem sutis, coisas bem pontuais. Essas coisas são para mim como provas concretas de um fato inevitável: eu cresci agora sou mulher, como diria Sandiléia de Lima & Lima.

Eu explico: Eu sempre fui uma menina muito moleca mas virei mulherzinha, só pode.

Cito 3 exemplos que corroboram com a minha teoria de que cresci:

- Eu agora tenho nojo de barata.
Eu nunca tive nojo de barata, sempre pisei sem o menor dó, sem nem pestanejar, sem em nada me abalar. Lembro perfeitamente do dia em que peguei uma barata na mão para colocar na cadeira do professor babaca de ensino religioso. Agora se eu vejo uma barata já saio correndo, não consigo nem olhar. Pra matar é um sufoco, ter de chegar perto... arg. Isso é claramente um sinal dos tempos: Sou uma mulherzinha.

- Eu como abobóra.
Eu sempre odiei abóbora. Que jovenzinha em sã consciência come abóbora? Ultimamente me dá água na boca só em pensar numa bela panelada de abóbora caramelada. =9 nhami! E moranga então? Deus me livre de comer moranga, diria meu antigo eu. Hoje um camarão na moranga é um manjar! Pegar os camarões e depois raspar as bordas da moranga e misturar tudo... hmmmm nhami!

- TUDO me faz chorar
A ultima constatação feita a esse respeito sela de uma vez por todas a minha história como garota-moleca. Eu choro por qualquer porcaria! Qualquer ceninha mais sentimental me pega. Nem precisa ter muita história, nem precisa ser de um filme ótimo, com personagens tocantes. Nada. Não há histórinha de reforma de casa do Luciano Hulk que se salve. Até uma certa propaganda de tintas me fez chorar a pouco tempo! PROPAGANDA DE TINTAS! Quando eu comecei a ter esses surtos de mulherzinha eu só chorava em coisas que assistia sozinha, sem testemunhas para as minhas lágrimas. Mas hoje não importa, eu não consigo evitar. Minha namorada me pegou chorando em Avatar! AVATAR! Pelo menos ela diz que é fofo.

Eu cresci. E sou MUITO mulherzinha...

E vocês? Que mudanças notaram crescendo que as fazem merecer o título de "mulher"?
Então nesse final de semana Namorada e eu levamos a minha mãe para passar uns dias na casa da minha tia em uma praia aqui próxima. Fomos pela manhã, passamos o dia lá com a minha mamãe e Namorada e eu voltamos a noitinha. Lindo. Tudo tão bonito que esquecemos completamente do pedágio no meio do caminho. Íamos conversando tão alegremente que ninguém lembrou desse pequeno detalhe até estarmos literalmente na fila do negócio e nos darmos conta que a gente não tinha uma moedinha de 5 centavos sequer. Tínhamos ZERO DINHEIROS. Não tinha nem moeda perdida no cinzeiro, no fundo da bolsa, na dobra do banco, NA-DA.

E quem foi o filhodaputa que decidiu que pedágios não aceitariam cartões? Tipo, quer situação mais necessária do que essa? Você tá no meio da estrada, a sabe-se lá quantos Kms do caixa eletrônico mais próximo, sem ninguém pra pedir um troquinho emprestado, sem alternativas, sem saídas, sem chances. Se você, assim como nós, estiver sem dinheiro vivo meu amigo, é o seu fim.

Daí que a moça da cabine chamou o carinha que cuida das coisas por lá pra nos ajudar a dar a volta e ir para a outra pista porque não há alma caridosa nesse mundo que vai nos deixar passar por aquele pedágio. Pode isso? Íamos ter que voltar! E voltar pra onde Jesus? Até onde eu sabia a gente bem que poderia ter que voltar atééééé lááááá na praia e pedir as moedinhas emprestadas pra minha mãe porque eu não via possibilidade de encontrarmos um caixa em lugar algum. Mas tá, o carinha super solicito de colete amarelo marca-texto pede para um CAMINHÃO, um cami-fucking-nhão!, dar uma "rézinha" para eu ter espaço para voltar e sair da fila, o dito carinha do colete amarelo marca-texto vai parando o transito que vinha a toda na BR, B-fucking-R! para eu cruzar as sei lá quantas faixas de rodagem que tem no pedágio até alcançar a divisa entre a faixa que vem e a que vai, onde o carinha do colete afastou um baita negócio grandão que serve de mureta entre as faixas para que eu seguisse na direção de volta. ¬¬'

Eis que nesse momento o carinha-solicito-do-colete-amarelo-marca-texto me pergunta "vocês são daqui?" e eu, ignorando o fato que a placa do meu carro é da minha cidade de origem, respondo "uhum" como se isso fosse fazer R$1,10 magicamente na mão do cara para ele me dar. Aí ele me pergunta "vocês não conhecem o desvio aqui?" SIIIIIM Siiiiiim! Namorada já havia ouvido falar nesse desvio! Diz que fica um pouco mais longe para dar a volta pelo pedágio e tals mas na falta do dinheiro que abre as portas da BR, que escolha tínhamos? "Olha, já ouvi falar mas não sei onde é". "É fácil, mas tem que passar em uma ponte pênsil, você tem medo de ponte pensil?" Bah amigo, eu não tinha medo de ponte pênsil até você me perguntar se eu tinha medo, eu deveria ter? "Não, tenho medo não". "Ah tá, porque passa carro lá tranquilo, seu carro não é rebaixado né? - olha para baixo - iiih é sim". Meu carro não é rebaixado, é inclusive de um modelo que é até bem altinho para a categoria, se aquilo seria baixo de mais para esse trajeto e essa tal ponte então olha, só trator! Eu não ia me render assim sem lutar. "Não é não!". "Ah, parece... Mas passa sim, passa carro lá tranquilo" Quanto mais ele repetia isso mais eu pensava que ele tava querendo SE convencer de que passa carro na tal ponte pensil. A gente tava bem sem alternativa e quando um funcionário do pedágio te ensina a burlá-lo você deve agarrar a oportunidade né!

Direções dadas, lá fomos nós. Uma estradinha de chão terrível, cheeeia de buracos, totalmente escura e deserta e a cada curva eu pensava "é agora que vai ter uma emboscada e a gente vai morrer, maldito carinha-do-colete-amarelo-marca-texto, deve estar mancomunado com a gangue que assalta pobres moças indefesas nessa estradinha!" Quando sobrevivemos sem incidentes e chegamos ao asfalto eu pensei "Merda, o carinha do colete não falou nada sobre asfaltos antes da ponte-pensil-da-morte!" mas logo a frente a Namorada enxergou a tal ponte, o lado bom: estavamos no caminho certo, o ruim: a ponte tinha sim motivos pra assustar.

Cara, a ponte tinha malemal a largura de um carro, tive que cuidar com os espelhos na hora de entrar. Eu resolvi nem pensar muito, era noite, eu não enxergava direito a situação do rio abaixo, só sei que por garantia a Namorada abriu a janela dela falando "Olha, vou abrir porque vai que a gente caia na água né, aí a janela trava e tals, assim eu posso sair" e eu já fui logo abrindo a minha também né... vai que. A ponte tinha o chão todo de madeira preso por cabos de aço e assim que o carro saiu da terra firme ela começou a se balançar toda. Perto da outra margem a coisa sacudia de um jeito que eu só conseguia me concentrar em manter o pé no acelerador para sair daquilo logo.

No final, quando a gente tava do outro lado, veio uma sensação fantástica aventura bem sucedida. Reparamos no quanto a lua cheia estava extraordinariamente grande naquela noite do meio do mato e pensamos que aquela seria uma história que a gente ainda ia contar muitas vezes e rir ao pensar no carro em cima da ponte pênsil do carinha do colete amarelo marca texto. No final chegamos em casa, mesmo que por um caminho muito mais longo, sem pagar o tal pedágio. Tudo isso por R$1,10.

Na verdade eu teria pago muito mais pela aventura com a Namorada!

Arrumando a casa o barco!

quarta-feira, janeiro 27, 2010 , , , 6 comentários

Estou sutilmente colocando ordem no blog da Turma. Lá no começinho a proposta era de ser um blog conjunto meu e do ♂ o que ia ser ótimo, super promissor e coisa e tal mas o ♂ nos abandonou. Eu ainda achava que havia esperanças para o nosso menino mas parece que ele abandonou o barco mesmo então estou assumindo o leme como capitã-solo mas continuo de braços abertos para coloca-lo novamente a bordo se um dia ele voltar. Vou manter a bóia salva-vidas pertinho da balaustrada (olha o vocabulario das aulas de Direito da Navegação aí geeente!) desse nosso navio a fim de jogá-la ao mar assim que nosso marinheiro decida voltar a bordo mas até lá essa é a Turma De Uma Pessoa Só e quem manda nessa bagaça sou eu! Há!

Uma das primeiras consequências do motim é a criação do msn da Turma. Quem quiser bater papo pode eventualmente me encontrar adicionando turmadocolore@gmail.com ao seu programa de mensagens instantâneas. Ainda seguimos alegremente no comando do auto-intitulado Consultório Romântico Utópico e Idealista que responde às duvidas existenciais que tiram o sono de toda a humanidade e no Twitter da Turma que segue comentando assuntos totalmente aleatórios em menos de 140 caracteres.

La no começo da história da Turma esse template era pra ser temporário até que a gente criasse um só nosso mas eu já me apeguei a ele e admito minha total incapacidade de fazer muita coisa relacionada a isso então é esse que vai ficar porque eu gosto dele e pronto. Adotamos Adotei ainda um pequeno banner que está aí do ladinho e que pode ser gentilmente colocado nos nossos blogs amigos. Um obrigada suuuper especial para a Namorada que com suas habilidades de nerd pessoa super entendida do mundo digital fez a imagenzinha pra mim, que nem isso sou capaz de fazer. Também adicionamos os banners das Outras Turmas ao blogroll. Começamos Comecei (Santa Angélica do BBB10! Quando vou me acostumar com o singular?) por aquelas que disponibilizavam o código do banner prontinho no blog mas o feliz membro do blogroll quiser ter seu lindo bannerzinho no blog da Menor Turma do Mundo é só me enviar a imagem em um tamanho racional que eu coloco lá.

E com isso dito, damos dou continuidade à Turma do Colorê!
Se tem uma coisa que eu não esperava sentir antes de ter filhos adolescentes é essa agonia que me dá quando a Namorada não responde minhas mensagens nem atende o celular a noite.

Quando a gente começa a criar asinhas e sair a noite e nossos pais ficam em casa todos insones, preocupados e agoniados até estarmos a salvo no conforto das nossas caminhas a gente acha exagero deles, dá de ombros quando eles pedem que por favor liguemos para casa para assegurarmos que chegamos bem ao nosso destino, que estamos bem, que vamos ficar seguros e mimimi. Aí eles nos dizem que quando nós tivermos nossos filhos nós entenderemos. E a gente fica na mesma porque pensa que ainda vai demorar taaaaanto até lá que nem importa.

Pois bem, eu estou bem longe de ter filhos, quanto mais de ter filhos adolescentes, mas já sei bem como é. Tanto que cá estou eu sem conseguir deitar a cabeça no travesseiro.

Como dito no post anterior, estou no interior, e portanto longe da Namorada. Mesmo assim a gente sempre se acha no msn eu acaba trocando mensagens de boa noite mas hoje eu fiquei sem noticia nenhuma, mensagens não foram respondidas e o celular não foi atendido. Eu nem deveria me importar porque é meio típico dela largar o celular por aí e eu até sei onde ela deve estar a essas alturas e tudo mais mas o problema é só um: eu amo. Amo pra caralho. E isso implica naquela preocupação toda exemplificada acima pelos nossos paranóicos pais de alguns anos atrás.

Sou uma bobapaixonada panaca e não consigo evitar a preocupação. Já fico pensando em todas as merdas que podem ter acontecido. Que talvez ninguém queira me avisar das merdas porque eu tô longe, tenho 600 km pra dirigir até chegar lá e já volto amanha de qualquer jeito e mimimi. Filhos adolescentes e namoradas amadas não sabem o quanto isso é cruel, não sabem mesmo.
E pra eu ter uma boa noite de sono seria tão simples...

Só na folga e bem alimentada

quarta-feira, janeiro 20, 2010 , , 3 comentários

Adoro quando a minha mãe decide que quer férias da vida de aposentada dela. Adoro! Vocês conseguem imaginar a moleza generalizada que são as férias de uma aposentada?
As vezes ela decide que quer vir pra onde nós estamos agora: uma cidadezinha no interior com um balneário de águas termais onde a média de idade deve estar bem acima dos 50.

O bom daqui é a folga proporcionada pelos hotéis, todos um do lado do outro e competindo ferozmente para ver quem atrai o maior grupo de turistas (aka. grupo de idosos) possível. Eu já vim pra cá umas 5 vezes e nem mesmo coloquei os pés no tal balneário, fico só curtindo as mordomias oferecidas pelo hotel da vez.

Você mal termina de completar o formulário de hóspede e os caras já te colocam no regime de engorda te passando todos os horários das refeições. Aí você vai lá no horário marcado e dá de cara com tanta comida, mas TANTA comida, tudo uma melhor do que a outra, que bate um desespero porque você sabe que seu estômago não possui a capacidade desejada para poder provar todas aquelas delicias. O triste é que o café da manha só é servido até as 9h da madrugada. O que me faz ter que levantar cedo, descer, me empanturrar e voltar para a cama. E o que mata é a sobremesa. Até na janta tem sobremesas absurdamente açucaradas e recheadas e deliciosas. A pessoa tem que planejar a refeição já pensando na sobremesa. E daqui a 3 ou 4 horas vai ter mais.

Nesse meio tempo as pessoas limpam seu quarto e você lê o jornal, toma cafézinho e curte a piscina morninha (quando a chuva permite) ou uma das salas se jogos e etc. Como toda programação voltada aos de idade avançada, o dia no hotel envolve torneios de carteado, hidrostática light e opções de passeios. Ainda quero ver se pego um pro pesque-pague.

BBB 10 e a Tribo dos Coloridos

sábado, janeiro 16, 2010 , , 8 comentários


Ok, pra começo de conversa, por "Tribo dos Coloridos" o @boninho quis dizer "Turma do Colorê" mas teve medo do processo de plágio. Só Pode. Só. Pode.
Cara, se ele tivesse vindo bater um lero na boa comigo, se dissesse "olha, ♀ me cede esse nome esperto teu aí que eu prometo que mando a Sapata Oficial dessa edição aí pra você e pra Namorada brincarem com ela depois" eu ia falar "Claaaaro Boni querido, meu nomezinho esperto é seu nomezinho esperto!" e todos ficariamos super satisfeitos com o negócio fechado.

Ignorando o fato de que adotaram essa bobagem de "tribo" no lugar da nossa querida "turma", depois de 10 tentativas, dez, dÉz, D-E-Z fucking tentativas, finalmente o BBB me ganhou. Ok, Bial, você venceu, eu me rendo. E o motivo é óbvio: LÉSBICAS! A tentação de assistir uma lésbica assumida na frente do Brasil inteiro e como o resto dos confinados vão interagir com a espécime lésbica do cativeiro é grande demais. Vou honrar o Payperview que me foi ofertado e assistir essa coisa toda com o maior dos interesses. Só ainda não tive oportunidade de ficar em casa por tempo suficiente para fazer o PPV valer alguma coisa mas tenho mais três meses (é isso que dura o BBB?) para fazê-lo lembrando que a Angélica respondeu SIM a pergunta "Você se envolveria com alguém na casa?" e isso é algo que eu super não quero perder.

Fiquemos atentos para as cenas dos próximos capítulos.
Eu tenho pra mim que quero postar com bastante frequencia, fazer o blog ficar bem legalzão e alegrar o mundo inteiro com seus lindos posts (coff coff) mas quando fico de bobeira na frente do computador não consigo pensar em nada que preste o suficiente para render um texto, por pior que o texto seja.

Aí quanto eu to no bar bebendo com as amigas ou fazendo coisas do gênero, volta e meia eu penso "há! tá aí! ISSO rende um post!" aí o papo segue e eu esqueço o que ISSO era.

Mas não temam! Esses problemas acabaram! (só esses. Os outros continuam, mas não vem ao caso) Eu comprei um bloquinhozinho de anotaçõezinhas para deixar dentro da minha bolsa (que é bem pequena, por isso a necessidade de ser um bloquinhozinho) e ter onde registrar os bons posts-to-be então brace yourselves porque daqui pra frente, se tudo correr bem, teremos mais posts engraçadões para o divertimento de toda a família Colorê.

O único problema é que eu já tenho esse bloquinhozinho dentro da bolsa a uma semana e na hora H esqueço dele, portanto continuo esquecendo os bons assuntos para posts.


Alguém aí confirma a eficiencia de ginko biloba e ginsen?
Agradecida.
Olá leitoras queridas e não-tão-queridas. Notei que nos comentários dos blogs lésbicos em geral, no Twitter das meninas e no Formspring da Sapataria rola de vez em quando uma discussão ligando anonimato virtual à vida real dentro do armário e isso é um tanto quanto equivocado.

No meu caso, por exemplo, não entrego minha identidade secreta assim de bandeja por aqui mas todo mundo que me conhece sabe que vivo no lado colorido da força. Tá, nem TODO MUNDO, eu não saio me apresentando “Oi, sou sapa, como vai?” mas quem me conhece oficialmente tendo falado comigo por algumas vezes sabe.

Como todo mundo que lê o blog deve saber, Namorada e eu somos assumidas para nossas famílias, freqüentamos a casa uma da outra, dormimos juntas umas 5 vezes por semana e adoramos nossas sogras. Todos os amigos que convivem comigo sabem, minha ex-boss-from-hell sabe, meu ex-coleguinha querido sabe, meus ex-colegas de faculdade sabem (metade tem um pé no mundo colorido também mas desconta) enfim, estou longe de viver no frio e na escuridão do fundo de um armário.

Por que então eu não assino o blog com meu nome? Por que não digo onde moro? Ora pois, anonimato é um negocio muito mais divertido!!! Pensa comigo. Assim sem nome eu posso falar a besteira que eu quiser, trocar segredinhos e falar mal das pessoas (ex. Boss-from-hell) com muito mais liberdade. Com a nem meia dúzia de pessoas próximas que sabem que sou eu a responsável por esse blog eu já seguro muita coisa que eu gostaria de contar por aqui, imagine se eu lidasse com o fato de que qualquer um que entra aqui poderia ligar o que lê a minha pessoa? Postar deixaria de ser divertido e por que diabos eu faria algo que não me rende nenhum lucro financeiro e nem é divertido?!

Conclusões:

a) Blog anônimo ≠ Vida no Armário.
b) Blogueira anônima ≠ Causadora de toda a homofobia do mundo.
c) Blog anônimo = Muito mais divertido

Compreendeu?

Obrigada.

As alegrias que o Natal traz

segunda-feira, dezembro 21, 2009 , , 2 comentários

Então é Natal, e o que você fez? Perguntaria Simone.




Pois bem, eu comprei presentes e estou indo para o interior passar essa bela data ao lado da família mas antes, como boa namorada-out que sou, cumpri minhas obrigações para com a família da Namorada.



Comprei um presente bem cheiroso na Empório Body Store, seguindo o sábio conselho da Alice em suas Dicas de Natal Lesboland, para a Sogra e escrevi um cartão todo sentimental aproveitando a data para agradecer por ter uma sogra tão legal, que faz eu me sentir parte da família, coisa extremamente rara nesse nosso mundinho. Não entreguei ainda, vou lá hoje a noite colocar o presente dela e da Namorada debaixo da árvore de Natal mas já ganhei o meu presente da Sogra, o que só comprova que ela é mesmo muuuuuuito legal. Comprou presentes pra mim e pra namorada do filho no mesmo lugar. Uma fofa.



Outra coisa super bacana foi sair pra jantar com o Sogro (os pais da Namorada são separados), filhos dele e respectivas namoradas ontem. Acho fantástico isso. Onde a namorada do Cunhado vai, vou eu também. Super de boa. E hoje parece que nós, filhos e respectivas namoradas, vamos fazer o primeiro torneio familiar de War. Vai ser genial!

Ah o espírito de Natal!!!
Post empoeirado dos arquivos de rascunhos do Blogger pra vocês:

Voltem no tempo um pouco pra situar a historinha abaixo:

--

Esse lançe de Dubai me fez pensar que era hora de demarcar território: comprei alianças. Fazia tempo que eu queria, namoramos a mais de um ano e até agora ninguém tinha tido a iniciativa de comprar alianças. Comprei um par bem bonito, feminino, que não seria visto na mão de um homem e que eu particularmente achei a aliança de compromisso mais linda que eu já vi na vida toda. Eu não sabia o tamanho de anel da Namorada e errei na escolha, é evidente. Mas errei para mais! Ainda bem né, porque subestimar o tamanho do dedo da namorada pode ser bastante ofensivo, não é?

Fui para o centro hoje para levar a aliança da Namorada para ser ajustada. A minha já está no meu dedo desde que comprei porque acho ela bonita demais pra ficar na caixinha esperando. Chegando lá passei por uma praça onde um senhor de uns 50 anos sentado em um banco chamou minha atenção dizendo "olha lá" sinalizando para uma direção. Olhei e vi um casal de meninas se beijando, as duas de cabelos longos, nenhuma extremamente caminhoneira, talvez foi isso que mais chamou a atenção do senhor. Eu olhei e respondi "Ah é, ainda mais que esse final de semana tem Parada Gay né." e o senhor disse "É? Nem sabia. Você vai nisso?" eu fiz uma carinha fofa e respondi "Pffff. Eu namoro!" e levantei a mão mostrando a aliança sorrindo alegremente. Podia tanto ser "Pfff [claro que não!]. Eu namoro [com um menino]!" quanto "Pffff [claro que sim!]. Eu [até] namoro [com uma menina]!" Hehehe. Segui caminhando sem o tio nem imaginar que a aliança ostenta o lindo nome da minha linda namorada no seu interior.

Sabe que a atitude do tio até me agrada? Ele ficou lá, na dele. As meninas se beijando podem até incomodá-lo, ele pode não aprovar aquilo nem um pouco. Mas ele fica alí, no canto dele, dividindo a mesma praça com elas sem agredir, ofender ou fazer escandalo. Nos outdoors da Parada espalhados pela cidade tem escrito algo como "Eu aceito. Eu respeito". Por mim não precisa nem aceitar, respeitar só já esta de ótimo tamanho.

--

Atualização: A aliança da Namorada foi ajustada para o tamanho certo e tudo mas até o presenta momento ela segue sem usar porque diz que incomoda. Mereço?

Eu gosto de viajar. Não gosto pouco não. Gosto muito! No segundo mês de namoro com a Namorada viajei com a minha mãe por 20 dias. Não foi a viagem mais livre de saudades da minha vida, nem perto. Na verdade foi uma viagem bem sofridinha mas isso não vem ao caso. Fato é que agora eu estou aprendendo a duras penas que difícil mesmo é ficar esperando alguém voltar.

Namorada viajou, foi passar três semanas do outro lado do oceano. Fico imensamente feliz por ela, acho que é uma viagem tremendamente merecida e quero que seja uma experiência perfeita pra ela. Fico a imaginando nos cenários dos países pelos quais ela está passando, imagino as fotos que ela vai ter pra me mostrar quando voltar e isso me deixa imensamente alegre. Adoro me imaginar vendo as coisas pelos olhos dela mas preciso confessar: não vejo a hora dela voltar! A primeira semana foi ok, mas pensar que ainda faltam duas me dá o maior aperto no peito. Olho pro calendário mais de uma vez por dia. Mesmo sabendo que o dia não acabou, espero que faltem menos dias pra ela voltar do que da ultima vez que eu olhei.

O lado bom é que isso define de uma vez por todas que eu não sei viver sem a Namorada, que separar a minha vida da dela é equivalente ao suicídio. Ela vive nos meus pensamentos e meu coração é totalmente dela, e vai com ela pra onde ela for. Mesmo que seja bem difícil ficar aqui sem coração, ele tá quentinho lá com ela.

Agora fico aqui pensando se eu causo essa agonia toda nas pessoas quando quem viaja sou eu. Penso isso enquanto a primeira semana de outubro vem chegando, quando o Sr. Opash prometeu mandar os detalhes do emprego em Dubai. Icluindo a data da partida.

Negócio das Arábias

sábado, agosto 22, 2009 , , 6 comentários


Estou sumida. Admito. É o trabalho. Acabo de voltar de uma semana totalmente insana em São Paulo. Fui incumbida da missão de, em um mês e meio, organizar uma rodada de negócios internacionais de móveis. Trouxemos (com $ da Apex – Agencia Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) 30 importadores, de uns 20 países, e agendamos reuniões entre eles e 84 fabricantes brasileiros de móveis interessados em exportar e precisando desesperadamente de compradores. Um mês e meio parece tempo mas, acreditem, não é. Larguei mão de blog e msn em prol desse trampo mas valeu muito, muito, muito a pena. Entre os elogios recebidos veio uma proposta de emprego praticamente irrecusável. Vamos ao continho:

Era uma vez um rapazinho indiano que foi tentar a vida em Dubai. Hoje, 30 e poucos anos depois, o rapazinho é o braço direito de um sheik milionário em seu negocio de lojas de móveis de altíssimo padrão. Eu já tinha conhecido esse rapazinho, hoje um senhor que vamos convenientemente chamar de Sr. Opash, em fevereiro em outra rodada de negócios do tipo da qual participei. Minha chefe conhece o Sr. Opash a anos, já esteve em sua casa em Dubai, conhece a Sra. Opash e tudo, enfim, pode garantir que ele não vende moçinhas ocidentais em troca de camelos.
Em fevereiro ele já tinha falado em me levar pra trabalhar com ele, agora ele voltou com uma proposta real. Eu teria um salário razoável, loooonge de ser algo fora do normal, mas teria praticamente custo zero, apartamento disponibilizado pela empresa, motorista para me levar ao trabalho (que independentemente do nome que tenha, vou chamar de Gopal todo santo dia) e todo suporte necessário.

Seria temporário, um ano ou dois. Mesmo porque Dubai não parece o lugar ideal para eu e Namorada construirmos nossa linda família feliz e colorida. Eu acredito que teria que adotar cores no máximo em tons pasteis morando em Dubai, realmente não me imagino lá por muito tempo. Primeira coisa que fiz foi saber se uma mudança desse tamanho me faria perder a Namorada. Ano passado eu tinha uma proposta para os EUA quando conheci a Namorada, deixei de ir porque naquele ponto do relacionamento acreditava que um namoro de 6 meses não venceria a distancia. Dessa vez o timing é muito melhor, acho que o que temos vence o oceano Atlântico sem muitos problemas alem da saudades cortante. Namorada me deu todo o apoio, a resposta dela foi fundamental. Eu teria negado a proposta na cara do Sr. Opash se a Namorada não tivesse tido a reação que teve.

Penso que não seria nada fácil morar em Dubai por 1 ano ou 2. Não estou me enganando pensando que seria a vida empresarial dos sonhos e sei que ficar longe da sociedade liberal e calorosa que temos aqui vai ser f*d*. Tá, admito, estou me cagando de medo. Mas é uma oportunidade única, totalmente excelente. Da mesma forma que me enche de medo me enche de empolgação ao pensar em ter contato com uma cultura nova em um lugar tão incrível quanto Dubai. Foi pra coisas assim que optei por Relações Internacionais na hora do vestibular. Seria estupidez e covardia não ir. Prefiro me sentir desafiada do que me sentir estupida any time. Prefiro encarar a saudades e saber que deixo Mamãe, e Namorada orgulhosas do que lidar com minha própria covardia. Sair da zona de conforto me empolga. Ficar sozinha é que me apavora.


E aí? Que que vocês acham? Uma viagem a Dubai faria maravilhas pelos conteúdos de qualquer blog né? Mesmo deixando as cores da Turma mais neutras.

Venho por meio desde post atualizar o meu status profissional. Não estou mais desempregada e minha Carteira de Trabalho ganhou sua primeira canetada. O salário é irrisório, as horas são longas, a distância entre a minha casa e o escritório é intermunicipal (literalmente) e o glamour é inexistente mas eu já sabia de tudo isso (menos da distância intermunicipal porque o escritório mudou de localização) porque trabalho no mesmo lugar que estagiei por uns 3 meses no começo do ano.

Na época (como se tivesse passado muito tempo né...) eu meio que odiava trabalhar lá. Considerava minha gerente totalmente sem preparo, ela é uma ótima vendedora, tem uma lábia (entende-se “capacidade de passar a perna nos outros") sem igual e ela poderia muito bem exportar gelo para os esquimós e hambúrgueres bovinos para a Índia (sacaram a piadinha cultural aqui? Hum hum hum? [sim, qualquer telespectador de novela entenderia]) mas não entende bulhufas de gerenciamento de equipes, ou gerenciamento de qualquer coisa que seja. Tinha uma raiva mortal dos empregadores porque o escritório era mal organizado e não disponibilizava o mínimo para desempenhar um trabalho satisfatório: não existem computadores para todos nem máquina de café (trabalhar sem computador até vai, mas sem café?!?!?!?) Nada disso mudou (tá, agora tem um microondas que permite esquentar água prum nescafé), eu levo meu computador pessoal para o escritório para garantir que terei onde trabalhar e continuo tendo que lidar com a falta de profissionalismo da gerente mas me divirto corrigindo erros de inglês dela e levantando minha própria bolinha.

Muita gente (minha mãe, o e eu mesma, inclusos) achou muuuito estranho eu voltar para um trabalho que eu já odiava. Acontece que era isso ou continuar em casa, ou quem sabe procurar emprego em outra cidade (o que eu muito considerei). Ficar em casa já não estava dando certo a muito tempo, emprego em outra cidade teria que pagar muito mais porque teria que cobrir meus gastos com aluguel e tudo mais. Se já estava difícil arranjar emprego sem pedir muito, imagine precisando ganhar bem? Assim eu posso ganhar pouco mas sigo debaixo da asa da mamãe (entende-se: casa própria, contas pagas, custos 0). Fora que carteira assinada não é estágio né minha gente, aquelas tarefinhas insuportáveis que eu abominava e a total falta de reconhecimento ficaram só nas costas da outra estagiaria, eu agora sou efetiva, meu bem! Estou encarregada de organizar uma rodada de negócios envolvendo mais de 70 fabricantes brasileiros e cerca de 25 importadores estrangeiros e tenho duas viagens marcadas para o centro econômico do país a fim de encontrar com clientes do exterior.

Mas e aí, ter voltado pro escritório que eu odiava só porque a Gerente From Hell me ligou com o rabinho entre as pernas oferecendo o emprego foi prostituição? Eu acho que não, viu. Já estava cansada de fazer entrevistas sem ouvir nenhum retorno. Um convite assim pra ter a carteira assinada ficou muito difícil de recusar, mesmo não tendo nenhum grande atrativo. Além do mais, estava EXTREMAMENTE cansada das pessoas achando que eu era uma boçal mimada e que dormia o dia inteiro. Agora, das 8h as 18h, eu estarei juntando farpas para largar por aqui ao reclamar de como é dura a vida do proletariado.

- ♀