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Negócio das Arábias

sábado, agosto 22, 2009 , , 6 comentários


Estou sumida. Admito. É o trabalho. Acabo de voltar de uma semana totalmente insana em São Paulo. Fui incumbida da missão de, em um mês e meio, organizar uma rodada de negócios internacionais de móveis. Trouxemos (com $ da Apex – Agencia Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) 30 importadores, de uns 20 países, e agendamos reuniões entre eles e 84 fabricantes brasileiros de móveis interessados em exportar e precisando desesperadamente de compradores. Um mês e meio parece tempo mas, acreditem, não é. Larguei mão de blog e msn em prol desse trampo mas valeu muito, muito, muito a pena. Entre os elogios recebidos veio uma proposta de emprego praticamente irrecusável. Vamos ao continho:

Era uma vez um rapazinho indiano que foi tentar a vida em Dubai. Hoje, 30 e poucos anos depois, o rapazinho é o braço direito de um sheik milionário em seu negocio de lojas de móveis de altíssimo padrão. Eu já tinha conhecido esse rapazinho, hoje um senhor que vamos convenientemente chamar de Sr. Opash, em fevereiro em outra rodada de negócios do tipo da qual participei. Minha chefe conhece o Sr. Opash a anos, já esteve em sua casa em Dubai, conhece a Sra. Opash e tudo, enfim, pode garantir que ele não vende moçinhas ocidentais em troca de camelos.
Em fevereiro ele já tinha falado em me levar pra trabalhar com ele, agora ele voltou com uma proposta real. Eu teria um salário razoável, loooonge de ser algo fora do normal, mas teria praticamente custo zero, apartamento disponibilizado pela empresa, motorista para me levar ao trabalho (que independentemente do nome que tenha, vou chamar de Gopal todo santo dia) e todo suporte necessário.

Seria temporário, um ano ou dois. Mesmo porque Dubai não parece o lugar ideal para eu e Namorada construirmos nossa linda família feliz e colorida. Eu acredito que teria que adotar cores no máximo em tons pasteis morando em Dubai, realmente não me imagino lá por muito tempo. Primeira coisa que fiz foi saber se uma mudança desse tamanho me faria perder a Namorada. Ano passado eu tinha uma proposta para os EUA quando conheci a Namorada, deixei de ir porque naquele ponto do relacionamento acreditava que um namoro de 6 meses não venceria a distancia. Dessa vez o timing é muito melhor, acho que o que temos vence o oceano Atlântico sem muitos problemas alem da saudades cortante. Namorada me deu todo o apoio, a resposta dela foi fundamental. Eu teria negado a proposta na cara do Sr. Opash se a Namorada não tivesse tido a reação que teve.

Penso que não seria nada fácil morar em Dubai por 1 ano ou 2. Não estou me enganando pensando que seria a vida empresarial dos sonhos e sei que ficar longe da sociedade liberal e calorosa que temos aqui vai ser f*d*. Tá, admito, estou me cagando de medo. Mas é uma oportunidade única, totalmente excelente. Da mesma forma que me enche de medo me enche de empolgação ao pensar em ter contato com uma cultura nova em um lugar tão incrível quanto Dubai. Foi pra coisas assim que optei por Relações Internacionais na hora do vestibular. Seria estupidez e covardia não ir. Prefiro me sentir desafiada do que me sentir estupida any time. Prefiro encarar a saudades e saber que deixo Mamãe, e Namorada orgulhosas do que lidar com minha própria covardia. Sair da zona de conforto me empolga. Ficar sozinha é que me apavora.


E aí? Que que vocês acham? Uma viagem a Dubai faria maravilhas pelos conteúdos de qualquer blog né? Mesmo deixando as cores da Turma mais neutras.

Venho por meio desde post atualizar o meu status profissional. Não estou mais desempregada e minha Carteira de Trabalho ganhou sua primeira canetada. O salário é irrisório, as horas são longas, a distância entre a minha casa e o escritório é intermunicipal (literalmente) e o glamour é inexistente mas eu já sabia de tudo isso (menos da distância intermunicipal porque o escritório mudou de localização) porque trabalho no mesmo lugar que estagiei por uns 3 meses no começo do ano.

Na época (como se tivesse passado muito tempo né...) eu meio que odiava trabalhar lá. Considerava minha gerente totalmente sem preparo, ela é uma ótima vendedora, tem uma lábia (entende-se “capacidade de passar a perna nos outros") sem igual e ela poderia muito bem exportar gelo para os esquimós e hambúrgueres bovinos para a Índia (sacaram a piadinha cultural aqui? Hum hum hum? [sim, qualquer telespectador de novela entenderia]) mas não entende bulhufas de gerenciamento de equipes, ou gerenciamento de qualquer coisa que seja. Tinha uma raiva mortal dos empregadores porque o escritório era mal organizado e não disponibilizava o mínimo para desempenhar um trabalho satisfatório: não existem computadores para todos nem máquina de café (trabalhar sem computador até vai, mas sem café?!?!?!?) Nada disso mudou (tá, agora tem um microondas que permite esquentar água prum nescafé), eu levo meu computador pessoal para o escritório para garantir que terei onde trabalhar e continuo tendo que lidar com a falta de profissionalismo da gerente mas me divirto corrigindo erros de inglês dela e levantando minha própria bolinha.

Muita gente (minha mãe, o e eu mesma, inclusos) achou muuuito estranho eu voltar para um trabalho que eu já odiava. Acontece que era isso ou continuar em casa, ou quem sabe procurar emprego em outra cidade (o que eu muito considerei). Ficar em casa já não estava dando certo a muito tempo, emprego em outra cidade teria que pagar muito mais porque teria que cobrir meus gastos com aluguel e tudo mais. Se já estava difícil arranjar emprego sem pedir muito, imagine precisando ganhar bem? Assim eu posso ganhar pouco mas sigo debaixo da asa da mamãe (entende-se: casa própria, contas pagas, custos 0). Fora que carteira assinada não é estágio né minha gente, aquelas tarefinhas insuportáveis que eu abominava e a total falta de reconhecimento ficaram só nas costas da outra estagiaria, eu agora sou efetiva, meu bem! Estou encarregada de organizar uma rodada de negócios envolvendo mais de 70 fabricantes brasileiros e cerca de 25 importadores estrangeiros e tenho duas viagens marcadas para o centro econômico do país a fim de encontrar com clientes do exterior.

Mas e aí, ter voltado pro escritório que eu odiava só porque a Gerente From Hell me ligou com o rabinho entre as pernas oferecendo o emprego foi prostituição? Eu acho que não, viu. Já estava cansada de fazer entrevistas sem ouvir nenhum retorno. Um convite assim pra ter a carteira assinada ficou muito difícil de recusar, mesmo não tendo nenhum grande atrativo. Além do mais, estava EXTREMAMENTE cansada das pessoas achando que eu era uma boçal mimada e que dormia o dia inteiro. Agora, das 8h as 18h, eu estarei juntando farpas para largar por aqui ao reclamar de como é dura a vida do proletariado.

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O maior dos meus problemas

quinta-feira, abril 23, 2009 , , 4 comentários

Eu sou uma menininha feliz e saudável, com 21 anos de boas histórias pra dividir com uma mãe maravilhosa, uma namorada incrível e um mundaréu de bons amigos. Tenho memórias de muitas viagens e fotos tiradas em vários lugares do mundo. Tenho um diploma de bacharel pra pendurar na parede e um cérebro com uma boa capacidade de armazenamento e raciocínio. Meu currículo conta com uma lista de habilidades que me fariam uma boa profissional. Por enquanto, eu passo longe de ser a vergonha da família, mas o meu único problema é que isso pode mudar se eu não arranjar a damn job.
Por que a crise estoura justamente quando eu me formei em uma carreira que depende diretamente da economia mundial? Pra acabar com a minha vidinha perfeita. SÓ PODE.
É incrível como eu passei de “universitária futuro da nação” a “desempregada loser” de uma hora pra outra. Antes eu tinha uma bela monografia e boas notas, agora eu me sinto a maior das idiotas inúteis. Aqui onde eu moro, o mar não está pra peixe na minha área. Mas sair daqui inverteria todos os papéis. Em algum outro grande centro, ou outro país, eu poderia ser uma trabalhora remunerada longe da família, da namorada e sem amigos.
Tinha um tempo no qual eu já estaria lá, bem longe, recebendo minha folha de pagamento. Hoje, pesando tudo, eu acho que fico menos frustrada onde estou. O que eu tenho por aqui importa muito. E alguém, das várias pessoas que tem recebido meu currículo, vai me ligar para uma entrevista de emprego uma hora dessas né?

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Este post foi considerado muito desanimado pela equipe desse blog. Mas como postar é grátis e ilimitado, eu apertei o "publicar mensagem" mesmo assim.

Publiquei méééééééérmo tá ligado? Na caruda! =P

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E no mesmo tópico:

Amiga diz: Mas tipo, que emprego exatamente procuras?
♀ diz: Comércio exterior;
♀diz: Importação/exportação;
♀: Negócios internacionais;
♀: Favores sexua.... opa, esse não!

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