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Converted by Falcon Hive

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Assassino de aluguel

segunda-feira, abril 05, 2010 , , , 14 comentários

Eu tenho uma dificuldade absurda em desistir. Nunca fui uma boa perdedora.

Fico pensando incessantemente em onde foi que eu errei. Ouvi que eu não tinha errado em nada mas eu discordo, consigo pensar em várias coisas. A maioria relacionada a não saber cultivar o amor. A deixar que nós duas nos acostumássemos muito, nos acomodássemos muito. Eu deveria ter cultivado melhor o negócio absolutamente ESPECIAL que tínhamos em vez de ter deixado que tudo se tornasse banal.

Das maiores às menores coisas. Tudo tem sido lembrado.
Eu deveria ter confessado antes que na verdade eu amava quando ela me chamava de "nenem". Algum amigo que eu não lembro falou que era brega e mimimi e eu fiquei com vergonha de admitir que achava lindo. Ela nunca mais me chamou assim mas o cartão que ela escondeu na minha carteira em uma das primeiras vezes que eu viajei durante o nosso namoro onde se lê "Oi Nenem ^^ Saudade! Beijos, Namorada xD" ainda está aqui na carteira. Foi a única coisa que eu ainda não consegui guardar na caixinha das coisas do namoro. Adotamos o "Xuxu" (alguns aí devem pensar que é tão brega quanto ou pior do que Nenem, não dou a mínima) mas me arrependo imensamente por nunca termos nos chamado de Amor com mais naturalidade. Por que diabos eu tive tanta vergonha de admitir mais vezes que é isso que ela é? Meu amor.

Nessa Páscoa eu só consegui pensar em como Páscoa feliz mesmo foi aquela em que eu viajei para a casa da vovó e ela ficou com a chave do apartamento para cuidar do gato como sempre fazia. Quando eu cheguei de viagem encontrei um chocolate, uma rosa e um cartão de feliz páscoa em cima da minha cama. Me tirou o fôlego e ainda tira. Me pergunto quando foi que eu deixei de tirar o fôlego dela, ou se já cheguei a tirar.

É muito difícil aceitar que todo o amor que eu sinto vai ter que ser afogado. Me parece um desperdício sem igual.

E eu não consigo fazer sozinha, nem consigo lidar com assassinos de aluguel.

Não acaba.

quinta-feira, abril 01, 2010 , , , 4 comentários

Existe uma leitora daqui que anda se transformando em amiga. Daquelas dos áureos tempos em que os amigos trocavam correspondências. Correspondemo-nos nos sentimentos que andam nos maltratando um pouco e na certeza de que o tempo nos permitirá a felicidade futura.

Essa amiga me enviou essa crônica do Marcelo Rubens Paiva no último e-mail. Alertou que não sabia se a leitura me ajudaria ou atrapalharia e quando li o título pensei "eu não quero ler isso" mas, tendo vindo de quem veio, achei que valeria a pena. Ao terminar a leitura decidi "EU PRECISO POSTAR ISSO!".

E aqui está a primeira participação direta da Amiga por Correspondência (e o nome se encaixa mais do que simplesmente pelo formato que a nossa conversa tem) no blog.

O amor acaba?

O cara disse. Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, como se lhe faltasse energia. Ele não volta? Não deixa rastro ou renasce? Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está, na sombra apagada pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada. Na solidão, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido… Na insônia, o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, e se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado? Na sorveteria, ele volta, o amor, em lembranças. Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos… No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atlasado: “Eu te amo”. Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se amou. O amor não acaba, porque tenho saudades, me lembro dela, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito. O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, não vejo a paz. Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra a minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei meses amando como se não tivesse acabado. Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado. O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. Nas tantas músicas que ouvimos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto os meus braços imobilizavam os seus. Amor. O não-amor é o vazio. O antiamor também é amor. Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Lembra do meu dedo dentro de você? Amo-te, amo-te, amo-te. Instante secreto, sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz: Eu te amo! O amor acabou quando você se foi? Você sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, das noites pelados assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol, do café da manhã com jornal, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar um livro, do cinema gelado em que vimos o filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, inconveniência, de eu ser seu amante, noivo, amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe e pensou em nós especialmente bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali, acaba? Diz que acaba. Como acaba? Não acaba. Diz, não acaba. Repete. Falei? Não acaba. Pode virar amor não correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor. Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba. Vira. Se acabar, não era amor.


Fim.

domingo, fevereiro 28, 2010 , , , , 17 comentários

Antes o título se referisse ao fim do blog, mas não. É fim de namoro mesmo. Veio totalmente inesperado pra mim e está sendo difícil assimilar.

Viajei a trabalho no começo da semana, antes de ir tivemos uma briga mas que também resolvemos antes de eu viajar. Foi pelo mesmo motivo que desencadeia quase todos nossos desentendimentos: a falta de demonstração de carinho da parte dela, que me deixa irritada, que me faz ser grossa, que faz ela ser ainda menos carinhosa que me deixa insegura e assim vai, um never-ending-circle.

Na conversa que seguiu a briga eu achei que a gente tivesse finalmente se entendido direito e que tínhamos dado um passo para a frente. Viajei totalmente apaixonada, como sempre fui. Enquanto eu estava fora conversamos pouco mas normalmente, eu estava muito ocupada, ela parecia compreensiva. Sexta a noite saí com a Pri, do DUPA. Foi muito bom finalmente a conhecer pessoalmente. O assunto mais comentado da noite foi definitivamente os nossos respectivos namoros. Eu, toda "panaca" que sou, comentei da falta de carinho mas que era o jeito dela, que nos amávamos, que eu me casaria com ela, mimimi. Mandei mensagens babonas de saudades, não via a hora de voltar.

Hoje, a caminho de casa, recebi uma mensagem dela dizendo que queria conversar comigo, para eu ligar quando chegasse, não interessava a hora, e que se eu não estivesse muito cansada da viagem ela viria conversar comigo. Cheguei a 1h 30m da madrugada, liguei e ela veio. A recebi com um abraço caloroso, estava mesmo com saudades mas eu sabia que tinha alguma coisa errada ou ela não teria falado que queria conversar. Confesso que pensei que ela tivesse me traído, uma ex dela que agora mora no exterior esta na cidade e elas se viram durante a semana. Imaginei que ela viria, confessaria, eu teria muita raiva mas tentaríamos resolver, sei lá.

Quando disse para ela falar ela hesitou, perguntei "o que você fez?" "Eu não fiz nada!" foi a resposta. Eu sei que ela sabia do que eu estava falando então já não era isso. "Fala logo!" ela chora "Prometi que não ia chorar". Eu sabia que era sério, normalmente ela não chora.
Ela disse que entendia todas as minhas reclamações por falta de carinho e que eu tinha razão, que ela não sentia mais o mesmo, que éramos mais amigas do que namoradas. Absurdo! Calunia! Ela pediu para eu a abraçar, eu abracei. Eu amo ela com todas as fibras do meu corpo, falamos disso na ultima briga. Eu olho pra ela com cara de idiota apaixonada com quase 2 anos de namoro, tenho tesão, quero perto, quer junto, quero beijar. Ela não, pelo jeito. Todas as vezes que eu falei que parecia que ela não gostava de mim eu estava certa, ela que me enganava dizendo "Como não gosto? Passo o dia todo, todos os dias do teu lado! Se não gostasse não passaria." E olha que não foi só uma vez que ela alegou isso.

Ela teve outras chances de terminar comigo, quando eu mesma já tinha terminado ou estava certa de que não tínhamos muita esperança ela vinha e falava que era idiotice minha. Agora que eu estava mais forte do que nunca, mais apaixonada do que nunca, mais confiante do que nunca, agora ela percebe que eu estava certa mesmo? Como assim!!!! Primeiro eu não acreditei muito nisso, não fazia sentido, ela deve estar exagerando, não é possível. Eu nem me desesperei muito porque não podia ser sério mas ela continuou lá, chorando e irredutível. Pedi pra deitar do meu lado, ela não quis.

Aí veio a raiva, o ódio. Que merda! Porque ela me enrolou? Porque me enganou? Falei que ela tinha me iludido, me feito voltar a acreditar numa coisa que já não existia mais. Que ela tinha sido egoísta, que deveria ter me deixado ir quando eu terminei com ela e tinha interesse em outra menina. Falei que ela tinha me feito de idiota e que eu era muito muito muito burra por ter acreditado nesse amor, por ter insistido, por ter me dedicado, por ter viajado por ela, investido nisso. Ela chorou mais. Eu chorei mais. Chorei no colo dela. Fiquei com raiva, acusei mais um pouco de ter me iludido, falei e falei de novo que eu era uma burra idiota. Ela perguntou se devia ir embora, falei que eu queria pedir pra ficar mas honestamente queria mandar ela se foder. Ela falou que iria embora, pedi que trancasse a porta quando saísse. Pego a chave dela outra hora.

Assim que a porta do apartamento se fechou a do quarto da minha mãe se abriu. Ela veio, sentou do meu lado, segurou minha mão, perguntou o que tinha acontecido. Contei por cima, chorei, xinguei, falei que quem perdia era ela. Que o problema era ela. Que a minha parte eu fiz. Acredito em tudo isso, mesmo que parcialmente. Eu faria tudo por ela, agora não vou mais me rebaixar. Ela tá perdendo a pessoa que mais amou ela na vida, eu a que mais amei. Não acho que ela realmente tenha percebido o que estava fazendo antes dessa semana, mesmo assim é muito injusto. Me sinto enganada. Como se tivesse me dado um futuro com ela e agora arrancado.

Desde então a raiva troca de lugar com a tristeza em um rodízio constante.
Não consigo acreditar que não tenho mais a Namorada. Preferia só odiar.